O cenário pós-pandêmico ao qual estamos sendo apresentados é bastante desafiador, uma vez que os padrões de consumo foram alterados e somado a isso temos também as empresas com pouco caixa ou com dívidas que foram contraídas para manter o negócio de pé.
Em pesquisa realizada pela Abrasel com 1.689 estabelecimentos se constatou que 29% tiveram prejuízo, 36% ficaram em equilíbrio e 35% geraram lucro em maio de 2022, o que demonstra que mesmo com a abertura dos salões muitos restaurantes ainda não viram seu faturamento voltar a níveis de 2019.
Por outro lado temos um número recorde de pedidos online e de novos cadastros de estabelecimentos comerciais em marketplaces de delivery, o que indica que por mais que alguns negócios não estejam resistindo às novas práticas de consumo, outros novos estão surgindo e alguns dos mais antigos estão expandindo o seu atendimento para além do espaço físico e atuando também no digital.
Além disso, temos o surgimento de uma nova modalidade de negócio com as Dark Kitchen, o que possibilita ao empreendedor ter uma operação eficiente e seguindo todos os padrões exigidos de produção a um custo inicial menor.
E essa nova modalidade de restaurante é a primeira tendência a ser elencada, as Dark Kitchen já são uma realidade mas a sua expansão e consolidação são uma aposta para os próximos anos.
Outra tendência do Food Service é a digitalização das experiências, ou seja, não se trata apenas de ter um cardápio online para pedidos para delivery, mas sim um restaurante online com a possibilidade do cliente realizar o seu pedido pela internet e escolher se deseja consumir no estabelecimento, retirar para levar ou também receber em casa, mas tudo através do mesmo canal.
Produzir experiências para que os clientes lembrem com carinho da sua marca é muito importante, e ter um atendimento todo voltado para a escuta é a base para o sucesso. Não adianta o restaurante ter os pratos mais elaborados, ou o delivery super rápido, mas não está adequado ao desejo dos consumidores.
Pode soar como antigo ou um conceito já batido, mas o foco no cliente é a aposta para a consolidação de um negócio hoje. As pessoas não querem apenas adquirir bens ou serviços das empresas, elas estão buscando identificação com as marcas antes de consumir.
O consumo consciente já é o primeiro pensamento de consumo em muita gente, e essa tendência está ganhando cada dia mais seguidores. São pessoas que antes de consumir de uma marca pensam se a cadeia produtiva é responsável, se o relacionamento com funcionários e clientes é realmente importante para empresa ou se são apenas números.
Cada dia mais as pessoas querem sentir que o bem estar delas é a razão dos esforços de venda dos negócios. Que é para melhorar a vida delas que aquele serviço está sendo oferecido, que a venda não é o fim mas o meio que as empresas têm de impactar e contribuir com a comunidade.
Sendo assim só irão sobreviver as empresas que entenderem que as pessoas são realmente a razão delas existirem e nutrirem com o seu público um relacionamento verdadeiro, transparente e respeitoso.
Outro caminho que está surgindo e traz grandes oportunidades de negócios é a crescente demanda por alimentos veganos e vegetarianos. Muita gente está aderindo espontaneamente a uma alimentação mais natural e com menos proteína animal.
Pesquisas realizadas pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) em 2021, com brasileiros residentes em todas as regiões do país, indicam uma redução do consumo de carne: 46% das pessoas não comem carne pelo menos uma vez na semana e 32% optam por opções veganas sempre que elas são destacadas.
A Sociedade Vegetariana Brasileira avalia que uma parte desse universo são os milhões de adeptos da ‘Segunda Sem Carne (SSC)’, movimento que existe no Brasil desde 2009 e que convida as pessoas a trocar, pelo menos uma vez por semana, a proteína animal pela proteína vegetal.
O movimento é conhecido mundialmente pelo seu embaixador Paul McCartney, mas o Brasil é reconhecido por ter “a maior SSC do mundo” – presente em refeitórios corporativos, escolas particulares e públicas, restaurantes e outras organizações.
Outra demanda expoente é a produção de comida natural para pet. O Brasil tem a segunda maior população de animais domésticos do mundo, um número de 139,3 milhões de pets que é responsável por 0,36% do PIB brasileiro, sendo mais expressivo do que setores tradicionais como o de automação industrial.
O segmento de Pet Food é responsável por 73.9% de todo o faturamento do setor pet e com a preocupação crescente por parte dos tutores com a saúde, qualidade de vida e longevidade dos bichinhos, a alimentação natural tem ganhado destaque.
Já sabemos que nem sempre temos tempo de fazer nossas próprias refeições, imagina ter também que produzir toda a comida dos pets? É por isso que tem surgido cada dia mais chefs dedicados a produzir as marmitas dos bichinhos baseados nas orientações dos veterinários ou disponibilizando um cardápio fixo para que os tutores possam escolher o que melhor se encaixa na dieta desejada para os seus companheiros.
Outra tendência de mercado são as adegas de bairro ou loja de conveniência conectadas aos aplicativos de entrega. Sim, essa é a nova aposta do setor de delivery. Com a liberação das restrições para atendimento presencial e a volta dos restaurantes e bares, os grandes marketplaces do mercado viram os seus pedidos diminuindo e voltaram a atenção para aumentar sua da rede conveniada para outros tipos de estabelecimentos, como mercadinhos, adegas, lojas de conveniências, supermercados e farmácias.
Esse movimento de grandes players nos sinaliza que existe um mercado com demandas a serem correspondidas e por isso é uma tendência de mercado.
Por todo o cenário apresentado acredito que deu para perceber que o setor de Food Service continua em alta e com um horizonte promissor e desafiador pela frente, né? Afinal, todo mundo ama comer!